Não acredite em nada do que digo, pois é tudo verdade.

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Será?

Do que somos feitos?

De que carne somos feitos?

Que pele, que órgãos, que células?

Da onde vem a dor se nada dói?

Por que me sinto sufocar se não estou me afogando?

Será que é possível lutar pelo que já está assentado?

Enterrado bem fundo, tão fundo que não há luz

Todo dia uma luta, todo dia uma guerra

que eu já desisti de lutar, se quiçá um dia lutei

São altos e baixos, longos e curtos

O que fazer para parar o nada?

Já esteve no nada? é vazio

O que nos puxa e nos submerge pro nada?

Será só mais um jeito de estar no mundo?

Será um jeito ruim de estar no mundo?

Será?

Adaptação

Era isso

mas já estava deteriorada demais

não se podia ver através das rachaduras

como a alma se aparentava

ou nunca se pode ver…

Poderia estar morta por dentro

Poderia ter sido a única

provavelmente era só um sonho

mas nunca aprendi a sonhar

nunca soube sonhar direito

então se perdeu

mas não tem problema

faz parte de se adaptar

No momento…

Se palavras pudessem dizer

se pudessem alcançar

o que só o som do vento

o gosto da água que cai nos olhos e escorre pela boca tem

se pudessem se expandir, criar ventos

ir voando pra bem longe

levando consigo todas as cores

os sabores, as dores e os prazeres

desse momento onde não encontro corpo em mim que me sustente

onde a pessoa no espelho se encontra tão diferente quanto o externo tenta exteriorizar.

Um certo traço de melancolia se põe em forma,

se põe em mim,

se veste e fica.

Onde não há comum,

onde o reconhecimento se dissipa

a identificação se desidentifica.

Só sobrou ondas, só sobrou mar e água…

só água.

E não é(ra) amor (?)

A pior coisa que pode nos acontecer além de descobrirmos que não somos amados por quem amamos é descobrir que na verdade quem não ama é você. Descobrir que você se deixou ludibriar pela carência, pelas neuroses, pela paixão, pelo desejo, pelo comodismo, pelo costume, pela regra, pela solidão. É complicado. Muito mais para aceitar isso, algo que se descobre assim, meio sem querer. Eu descobri vendo um filosofo falar sobre o amor em um documentário. Isso pode parecer besteira, mas o que acontece é que o amor nem é tão complicado como a gente costuma (e quer) achar, ele chega devagar, sem perceber, e quando você vê ele já se instalou e você está amando, não uma projeção de alguém que você gostaria de ter um relacionamento, não com seu ideal de eu mas sim, se percebe amando um ser humano, os defeitos, o torto, o errado, o excluído, a imperfeição. E eu não fiz isso em nenhum momento. E continuo querendo mudar o outro pelo simples fato de não suportar seus defeitos, pois eles me incomodam a ponto de me dar asco, de ter vergonha e repulsa de estar com uma pessoa que tem aquele modo de pensar e viver. Seria muita audácia, ou quem sabe de uma ingenuidade ignorante minha dizer que amo essa pessoa.

E agora? O que fazer? Se todo o apego e todos aqueles sentimentos ludibriantes continuam aqui comigo, e não vão desaparecer junto com fim do relacionamento.

Então, o que fazer?

“Tá tudo padronizado no nosso coração
Nosso jeito de amar, pelo jeito, não é nosso não!” – Karina Buhr

E o amor bate na porta, entra e você não sabe como recebe-lo…

Tenho medos e angustias que não me deixam dormir, que me devoram de maneira atroz, que me mudam, me fazem amarga, insuportável.. até mesmo com quem amo.
Para aquela que  conseguiu finalmente alcançar o tão sonhado querer, as coisas não vão muito bem… Eu queria o amor, mas me esqueci que ele dói, que te enfraquece e te faz desprezível.
Não, não é mostrando todas as suas falhas e sua humanidade que se cultiva um amor, não. Ele precisa ser cultivado longe do horror de ser humano, das imperfeições, dos defeitos. O amor tem de ser cultivado em solo fértil, adubado, bonito e amplo.
Eu errei, errei em me deixar mostrar toda minha feiura, em toda minha verdade, em me deixar mostrar por inteira. Pois se nem eu mesma me quero por inteira, quem dirá um outro que está apaixonado pelas suas partes mais cintilantes e belas.
Eu comecei a errar, e quando se adentra por esse caminho torto é difícil parar, muito pior é matar todas as sementes já plantadas, porém onde ainda há vida, há solução e a esperança caminha junto, mesmo que desnutrida e fraca.
Não me entenda mal, não digo que não se deve deixar uma ou outra fraqueza emergir, senão o mistério também se perde. Pois o homem é só fraquezas e nunca faz bem lembrar ao outro do que ele realmente é feito.
Eu apenas sei que volto aqui, nesse antro de misérias e sofrimento, angustias e humanidades, pleno de verdades que ninguém quer ler, para me lembrar que o amor não é a solução de nada, e sim sentido, é o que dá sentido mas não é o ponto final, muito pelo contrário, é o que dá começo, um começo para um novo sentido pra vida.
Talvez ai esteja mais um erro meu (quiçá o maior deles): achar que o amor é sofrimento! Não! Quanta heresia! De fato, era eu que não estava sabendo usa-lo, eu que estava tampando-o com a minha cegueira, com meu gozar pelo sofrimento, com minha amargura de sempre! Ah como fui burra! como me ludibriei!

E depois de tudo, só me resta uma coisa:

Esperança.

Não há Rivotril que resolva….

E não há corte de cabelo que resolva, doce que sacie, reza que acalme, cansaço que derrube, sono que adormeça, roer de unha que baste toda essa merda que eu sinto por dentro. Toda essa solidão-angustia que me mata, de pouquinho em pouquinho, toda noite antes de dormir.